Grande silêncio e solidão

“A descida do Senhor ao reino dos mortos” – escute

De uma antiga homilia de Sábado Santo

A descida do Senhor ao reino dos mortos

Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos. Deus morreu segundo a carne e acordou a região dos mortos.

Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte, Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu Filho.

Entrou o Salvador onde eles estavam, levando em suas mãos a arma vitoriosa da cruz. Quando Adão, nosso primeiro pai, O viu, batendo no peito, cheio de admiração, exclamou para todos os demais: “O meu Senhor esteja com todos”. E Cristo respondeu a Adão: “E com o teu espírito”. E tomando- o pela mão, levantou-o dizendo: “Desperta, tu que dormes; levanta-te de entre os mortos e Cristo te iluminará.”

“Eu sou o teu Deus que por ti me fiz teu filho, por ti e, por estes que nasceram de ti; agora digo e com todo o meu poder ordeno àqueles que estão na prisão: ‘Saí’; e aos que jazem nas trevas: ‘Vinde para a luz’; e aos que dormem: ‘Despertai’.”

“Eu te ordeno: Desperta, tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos. Levanta- te de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, minha imagem e semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em Mim e Eu em ti, somos um só.”

“Por ti, Eu, teu Deus, Me fiz teu filho; por ti, Eu, o Senhor, tomei a tua condição de servo; por ti, Eu, que habito no mais alto dos Céus, desci à terra e fui sepultado debaixo da terra; por ti, homem, Me fiz homem sem forças, abandonado entre os mortos; por ti, que saíste do jardim do paraíso, fui entregue aos judeus no jardim e no jardim fui crucificado.”

“Vê no meu rosto os escarros que por ti suportei, para te restituir o sopro da vida original. Vê no meu rosto as bofetadas que suportei para restaurar à minha semelhança a tua imagem corrompida.”

“Vê no meu dorso os açoites que suportei, para te livrar do peso dos teus pecados. Vê as minhas mãos fortemente cravadas à árvore da cruz, por ti, que outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.”

“Adormeci na cruz, e a lança penetrou no meu lado, por ti, que adormeceste no paraíso e formaste Eva do teu lado. O meu lado curou a dor do teu lado. O meu sono despertou-te do sono da morte. A minha lança susteve a lança que estava dirigida contra ti.”

‘Levanta-te, vamos daqui. O inimigo expulsou-te da terra do paraíso; Eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas no trono celeste. Foste afastado da árvore, símbolo da vida; mas Eu, que sou a vida, estou agora junto de ti. Ordenei aos querubins que te guardassem como servo; agora ordeno aos querubins que te adorem como a Deus, embora não sejas Deus.”

“Está preparado o trono dos querubins, prontos os mensageiros, construído o tálamo, preparado o banquete, adornadas as moradas e os tabernáculos eternos, abertos os tesouros, pre- parado para ti desde toda a eternidade o reino dos Céus.”

(In sancto et magno Sábbato: PG 43, 439.451.462-463)  (Sec. IV)

Foto por Emre Can em Pexels.com

Meditação bíblica

Tríduo Pascal

Sexta-feira Santa, 10 de abril de 2020

Enquanto o Esposo dorme, a Esposa se cala. Assim, na Sexta-feira Santa e no Sábado Santo, a Igreja não celebra os sacramentos. Debruça-se totalmente sobre o sacrifício da Cruz por meio de uma Celebração da Palavra de Deus. Neste dia, a Liturgia deseja beber diretamente da fonte.

A Igreja abre a celebração num gesto de humildade. Os ministros prostram-se em silêncio diante do altar e, em seguida, o Presidente, sem mais, diz a oração do dia.

Segue-se a Liturgia da Palavra, onde se destaca a proclamação da Paixão de Jesus Cristo segundo João (Jo 18,1—19,42). Nela aparece o Cristo Senhor, o Cristo Rei, o Cristo vitorioso que vai comandando os diversos passos da Paixão. Entrega-se livremente, faz os guardas caírem por terra e, depois de tudo consumado, entrega o espírito ao Pai. Na morte Ele é glorificado. Submete-se à morte para deixar-nos o exemplo de reconhecimento de nossa condição humana de criaturas mortais. Na Liturgia da Palavra a Igreja curva-se sobre o mistério da Cruz.

A resposta é dada em três momentos. Temos, primeiramente, a Oração realmente universal e ecumênica. A Igreja pede que a fonte de graças que jorra da Cruz atinja a todos. Vai, então, alargando suas intenções. Reza pelo Papa, os bispos e todo o clero, os leigos e os catecúmenos; pela unidade dos cristãos, pelos judeus pelos que não creem em Cristo, pelos que não creem em Deus, mas manifestam boa vontade, pelos poderes públicos, por todos os que sofrem provações.

Tendo acolhido a todos no amor reconciliador de Cristo, a Igreja enaltece a árvore da vida, que floriu e deu fruto, restituindo o paraíso à humanidade. É o rito da glorificação e adoração da Cruz, seguido do ósculo. Este ósculo de adoração, gratidão e amor é como que a Comunhão do dia.

Finalmente, ela se atreve a comer do fruto da árvore, o Pão vivo descido do céu, a Sagrada Comunhão como prolongamento da Missa na Ceia do Senhor.

Neste dia não há rito de bênção e envio. Cada participante é convidado a permanecer com Maria junto ao sepulcro, meditando a Paixão e Morte do Senhor até que, após a solene Vigília em que espera a ressurreição, se entregue às alegrias da Páscoa, que transbordarão por cinquenta dias.

Na Liturgia das Horas e na piedade popular tem início a comemoração da Sepultura do Senhor. Temos o descendimento da Cruz, seguido da procissão do Senhor morto, na esperança da ressurreição. Na Liturgia das Horas merece especial atenção a leitura patrística, em que se narra o enternecedor diálogo entre Cristo, que desceu à mansão dos mortos, e Adão.

Frei Alberto Beckhäuser
Teólogo e Liturgista



Meditação bíblica

Tríduo Pascal 2020

Quinta-feira Santa, 9 de abril de 2020


“Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz”


Oração: “Ó Pai, estamos reunidos para a santa ceia, na qual o vosso Filho único, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor. Concedei-nos, por mistério tão excelso, chegar à plenitude da caridade e da vida”.

  1. Primeira leitura: Ex 12,1-8.12-14

Ritual da ceia pascal.

A primeira leitura apresenta uma síntese do ritual da celebração da páscoa judaica. A origem deste ritual vem de um costume entre pastores nômades de sacrificar um cordeiro ou cabrito, por ocasião de uma festa primaveril. Os filhos de Jacó entraram no Egito como pastores (cf. Gn 47,1-6). Centenas de anos depois, fugiram da severa escravidão sofrida no Egito, levando para o deserto seus rebanhos de ovelhas e bois (cf. Ex 10,24-26). Talvez a festa que os hebreus queriam celebrar no deserto tenha origem na antiga festa pastoril (Ex 3,18; 5,1-3). A festa de origem pastoril ganhou um conteúdo histórico, passando a ser o memorial do maior evento da história da salvação, isto é, a libertação de Israel do Egito. A celebração da Páscoa judaica tem um caráter familiar, porque era celebrada nas famílias; ao mesmo tempo tinha um caráter coletivo, porque todas as famílias celebravam o mesmo memorial, na mesma data. Jesus celebrou a páscoa com seus discípulos, antes de ser traído por Judas e preso pela guarda do Templo.

Salmo responsorial: Sl 115

              O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.

  • Segunda leitura: 1Cor 11,23-26

Todas as vezes que comerdes deste pão

e beberdes deste cálice, proclamais a morte do Senhor.

A instituição da eucaristia é conhecida através de quatro textos, que, basicamente, representam duas tradições: Paulo e Lucas (1Cor 11,23-35; Lc 22,19-20; 2. Marcos e Mateus (Mc 14,22-24: Mt 26,26-29). O texto mais antigo é o de Paulo. Após criticar alguns abusos na celebração da Ceia, que dividiam a comunidade, Paulo reafirma o que antes havia ensinado aos coríntios. O que lhes ensinou não foi invenção sua, mas recebeu-o do Senhor. Embora não tenha conhecido a Jesus histórico, viu como os cristãos de Damasco, Jerusalém e Antioquia celebravam a Ceia do Senhor (Gl 1,11-24; At 9,20-30; 11,24-26; 13,1-3). Lembra que a ceia aconteceu “na noite em que Jesus foi entregue” por Judas. Não foi, porém, uma decisão do traidor que entregou Jesus à morte. Ao contrário, Jesus livremente “entregou-se por nossos pecados… segundo a vontade de nosso Deus e Pai” (Gl 1,4; Rm 8,32). Ele “sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo ao Pai” (Evangelho). Durante a ceia, Jesus toma o pão em suas mãos, agradece a Deus pelos alimentos recebidos (“frutos da terra e do trabalho humano”: Ofertório), divide o pão e diz: “Isto é o meu corpo que é dado por vós”. No final da ceia, Jesus pega o cálice com vinho e diz: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue”. Duas vezes aparece a ordem: “Fazei isso em minha memória”. Se a antiga aliança do Sinai foi selada com o sangue de touros sacrificados (cf. Ex 24,4-8), a nova aliança é selada no sangue de Cristo, derramado pelos nossos pecados. A livre iniciativa de Deus é marcada pela entrega de seu Filho, pelo seu corpo, que é dado e pelo sangue, que é derramado.

Ao celebrar a Ceia do Senhor proclamamos sua morte e ressurreição, “até que ele venha”. Após a consagração, a assembleia aclama: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus”!

Aclamação ao Evangelho

              Glória a vós, ó Cristo, verbo de Deus. Eu vos dou este novo mandamento, nova ordem, agora, vos dou, que, também, vos ameis uns aos outros, como eu vos amei, diz o Senhor.

  • Evangelho: Jo 13,1-15

Amou-os até o fim.

João não conta a instituição da eucaristia na véspera de sua condenação à morte, como o fazem Paulo e os outros evangelhos. Em Jo 6,22-59 é tratado o tema da eucaristia. Aqui, o evangelista fala apenas do que aconteceu e o que Jesus falou durante a ceia de despedida, celebrada antes da festa da páscoa. Mais importante do que a própria ceia são as palavras de Jesus e o gesto de humilde serviço, ao lavar os pés dos discípulos. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés. E Jesus lhe diz: “Se não te lavar os pés, não parte comigo”. A palavra parte significa porção ou participação na herança paterna, como no caso do filho pródigo (Lc 15,12). Estamos no contexto de um testamento que Jesus deixa aos discípulos, como sua última vontade. Este testamento coloca em comunhão os discípulos com o Mestre. Comungar da vida de Jesus tem como consequência lógica o serviço radical. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (v. 1). Jesus ensina pela palavra e pelo exemplo: “Eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (v. 14-15). Todos saberão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. Este é o testamento que Jesus deixa aos discípulos e a todos nós. Jesus sabia que “de Deus tinha saído e a Deus voltava”. Jesus saiu do Amor sublime que é Deus e nos deixou como herança o mandamento do Amor.

Frei Ludovico Garmus, Ofm
Biblista e escritor

Tríduo Pascal em casa

Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos, através desta “Nossa Porciúncula” convida você para o “Tríduo Pascal em casa“.

Vivenciamos uma situação nova em que não poderemos celebrar fisicamente os sagrados mistérios da Grande Semana em nossas comunidades, fraternidades e paróquias. Mas, unidos com todos os irmãos e irmãs da OFS do Brasil, somos convidados a escutar e meditar a Palavra de Deus em celebrações que podem ser feitas individualmente ou em pequenos grupos familiares.

Tríduo Pascal em casa

Lembramos que essas celebrações não substituem as missas que você pode acompanhar pelo Youtube, Facebook, da sua paróquia, ou do Canal Rede Vida, etc. Contudo são mais um momento de oração e leitura da Palavra de Deus.

Gentilmente a Ir. Penha Carpanedo, das Irmãs Pias Discípula do Divino Mestre, diretora da Revista de Liturgia, preparou de maneira simples, mas com a profundidade, roteiros para essas celebrações em casa. Frei Ademir José Peixer, nosso assistente espiritual, preparou os áudios desses roteiros. Desta forma você pode acompanhar rezando e ouvindo a celebração!

Estaremos unidos em oração, cada qual em sua casa, nos seguintes dias e horários. Anote em sua agenda:

09/04Quinta Santa21:00
10/04Sexta Santa17:00
11/04Sábado Santo21:00
12/04Domingo de Páscoa19:00

Reze conosco! 🙏

Boa Semana Santa!

Acesse os roteiros e áudios:






Via-sacra com Clara

Ouça a Via-sacra

1ª Estação: Jesus é condenado à morte

L1. Pilatos trouxe Jesus para fora e disse aos judeus: “Eis o vosso Rei!” Mas eles gritaram: “Fora com ele; crucifica-o!” Então Pilatos o entregou a eles para que fosse crucificado.

D. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo e, vos bendizemos;

T. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

L2. Observa, medita, contempla Aquele que, por tua salvação, se fez o mais desprezado dos homens. Não desejes outra coisa, senão imitar o teu Esposo, o mais formoso dos filhos dos homens, que foi rejeitado, ferido e muitas vezes flagelado no seu corpo e que morreu na cruz entre muitas angústias.

D. Tende piedade de nós, Senhor;

T. Tende piedade de nós.

D. Doce coração de Maria,

T. Sede nossa salvação.


2ª Estação: Jesus carrega a cruz para o Calvário

L1. E Jesus levando consigo a cruz saiu para o lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota. Se alguém quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.

D. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos;

T. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

L2. Estreito é o caminho como também a porta pela qual se passa e entra na vida. Poucos são os que o percorrem e entram por esta porta. Poucos os que continuam até o fim. Felizes, pois, aqueles a quem foi dado seguir por este caminho e perseverar até o fim.

D. Tende piedade de nós, Senhor;

T. Tende piedade de nós.

D. Doce Coração de Maria,

T. Sede nossa Salvação.


3ª Estação: Jesus cai pela primeira vez

L1. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo caindo em terra, não morrer fica só; mas se morrer produz muito fruto. Quem ama sua vida, acabará perdendo-a; mas quem odeia sua vida neste mundo, vai guarda-la para vida eterna.

D. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos;

T. Porque pela vossa santa cruz remiste o mundo.

L2. Suporta corajosa e voluntariamente toda adversidade. É próprio da fé, com efeito, tornar-nos humildes quando nos momentos de contrariedade. Levanta muitas vezes os olhos ao céu, que nos convida a tomar a cruz e seguir a Cristo que nos precede. Depois de muitas e várias tribulações, Ele mesmo nos introduzirá na sua glória.

D. Tende piedade de nós, Senhor;

T. Tende piedade de nós.

D.Doce Coração de Maria,

T. Sede nossa salvação.


4ª Estação: Jesus encontra sua Mãe Santíssima

L1. Disse Simeão a Maria, sua mãe: “[…] quanto a ti, uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2, 35). Não deveis estranhar o fogo da provação que se produz entre vós, como se algo de extraordinário vos acontecesse. Alegrai-vos na medida em que participais dos sofrimentos de Cristo, par que na revelação de sua glória possais ter alegria transbordante.

D. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos;

T. Porque pela vossa santa cruz remiste o mundo.

L2. Tu és esposa, mãe e irmã do meu Senhor Jesus Cristo. Fica firme no santo serviço ao qual te dedicaste, levada por um ardente desejo de imitar Aquele que se tornou pobre e se deixou crucificar. Foi Ele que por nós suportou os tormentos da cruz, para nos libertar do poder do príncipe das trevas e nos reconciliar com Deus, nosso Pai.

D. Tende piedade de nós, Senhor;

T. Tende piedade de nós.

V. Doce Coração de Maria,

T. Sede nossa salvação.


5ª Estação: O Cireneu ajuda Jesus

L1. O discípulo não está acima do Mestre, nem o servo acima do Senhor. Ao discípulo basta ser como o Mestre e ao servo como o seu Senhor. Se ao chefe da família chamaram Belzebu, quanto mais os seus familiares (Mt 10, 24-25).

D. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos;

T. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

L2. Participando da sua paixão, participarás também do seu Reino. Chorando com Ele, Ele te alegrarás. Sofrendo e morrendo com Ele na cruz, possuirás uma morada celeste no meio do esplendor dos santos, o teu nome estará inscrito no livro da vida e possuirás por toda eternidade a glória do Reino Celeste.

D. Tende piedade de nós, Senhor;

T. Tende piedade de nós.

D. Doce Coração de Maria,

T. Sede nossa salvação.


6ª Estação: Verônica enxuga a face de Jesus

L1. Ele vegetava na sua presença como um rebanho, como raiz em terra seca. Sem beleza alguma ou esplendor que atraísse nossos olhares. Era desprezado, era o refugo da humanidade. Homem das dores, experimentando nos sofrimentos. Era como uma pessoa de quem se desvia o rosto (Is 53, 2-3).

D. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos;

T. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

L2. Põe tua mente naquele que é o espelho da eternidade[…] e o teu coração naquele que é a figura da divina substância. E transforma-te inteiramente pela contemplação na imagem da sua divindade. Ama com todas as tuas forças Aquele que totalmente se deu por teu amor.

D. Tende piedade de nós, Senhor;

T. Tende piedade de nós.

D. Doce Coração de Maria,

T. Sede nossa salvação.


7ª Estação: Jesus cai pela segunda vez

L1. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os perseguidos por cousa da justiça, porque o Reino dos Céus lhes pertence. Bem-aventurados quando vos insultarem e, mentindo disserem toda sorte de mal contra vós, por minha causa. Alegrai-vos e exultai porque será grande a vossa recompensa nos céus (Mt 5, 4-12).

D. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos;

T. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

L2. As irmãs aspirem sempre ser humildes e pacientes nas perseguições e nas enfermidades; e amar aqueles que nos perseguem, repreendem, criticam, porquanto diz o Senhor; “Felizes os que padecem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,10).

D. Tende piedade de nós, Senhor;

T. Tende piedade de nós.

D. Doce Coração de Maria,

T. Sede nossa salvação.


8ª Estação: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

L1. Estejam cingidos os vossos rins e as vossas lâmpadas acesas. Sede semelhantes a homens que esperam o Senhor […] para que, quando chegar e bater, logo lhe abram a porta. Bem-aventurado o servo que o Senhor encontrar vigiando quando chegar (Lc 12, 35).

D. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos;

T. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

L2. Afeiçoa-te àquela Mãe dulcíssima que trouxe no seu seio virginal tal Filho que os céus e a terra não podem conter […]. Como a gloriosa Virgem das Virgens trouxe o Cristo materialmente no seu corpo, assim tu, seguindo seus passos, especialmente na humildade e na pobreza, poderás sempre trazê-lo no teu corpo casto e virginal.

D. Tende piedade de nós, Senhor;

T. Tende piedade de nós.

D. Doce Coração de Maria,

T. Sede nossa salvação.


9ª Estação: Jesus cai pela terceira vez

L1. Todos nós andávamos desgarrados, como ovelhas, seguindo cada qual o seu caminho; o Senhor fez recair sobre Ele a in iniquidade de todos nós. Pela iniquidade do povo foi levado à morte, embora não houvesse cometido pecado algum. Mas oferecendo-se em sacrifício expiatório, verá uma longa descendência e se cumprirá, por mérito seu, a vontade do Senhor.

D. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos;

T. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

L2. Vejo que são a tua humildade, o vigor da tua fé e a tua pobreza que te fazem abraçar o tesouro incomparável, escondido no campo do mundo, isto é, nos corações humanos. Assim alcanças Aquele que do nada criou todas as coisas. Considero-te para usar as palavras do Apóstolo, cooperadora do próprio Deus e sustentadora dos membros débeis e vacilantes do seu inefável corpo.

D. Tende piedade de nós, Senhor;

T. Tende piedade de nós.

D. Doce Coração de Maria,

T. Sede nossa salvação.


10ª Estação: Jesus é despojado das vestes

L1. Aparecendo em forma humana, Cristo Jesus humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte e morte de cruz (Fl 2, 8).

D. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos;

T. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

L2. Entrega-te totalmente como virgem pobre a Cristo pobre. Olha para Ele, que, por teu amor, se fez desprezível, e segue o seu exemplo, tornando-te semelhante a Ele neste mundo. Pobre em seu nascimento, o Senhor foi colocado numa manjedoura, pobre viveu sobre a terra e despido foi pregado à cruz.

D. Tende piedade de nós, Senhor;

T. Tende piedade de nós.

D. Doce Coração de Maria,

T. Sede nossa salvação.


11ª Estação: Jesus é crucificado

L1. Ali o crucificaram, e com Ele outros dois, um de cada lado, e no meio, Jesus (Jo 18,19). Os que são de Cristo Jesus, crucificaram a carne com suas paixões e concupiscências.

D. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos;

T. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

L2. Contempla a inefável caridade pela qual Jesus quis padecer sobre o lenho da cruz e nela sofrer a morte mais infamante. Do alto da cruz se dirige aos que passam no caminho para que se comovam a meditar: “Ó vós todos que passais pelo caminho, olhai e julgai se existe dor semelhante à minha dor!” […] e respondamos a Ele, que grita e geme, a uma só voz e com um só coração: “Não me abandonará mais esta lembrança, que desfalece em mim a minha alma”.

D. Tende piedade de nós, Senhor;

T. Tende piedade de nós.

D. Doce Coração de Maria,

T. Sede nossa salvação.


12ª Estação: Jesus morre na cruz

L1. Para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse: “Sitio”, ou seja, “tenho sede”. Havia ali um vaso cheio de vinagre; puseram por isso uma esponja embebida de vinagre em cima de uma cana e encostaram-lhe na boca. Havendo Jesus tomado o vinagre, disse: “Tudo está consumado”. E inclinando a cabeça expirou (cf. Jo 19, 28-30).

D. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos;

T. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

L2. Ó santa Pobreza! O Senhor Jesus se dignou abraçá-la de preferência a todos os outros bens. Disse, com efeito: “as raposas têm suas tocas e as aves do céu os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça!” E quando reclinou sobre o peito foi para render o último suspiro.

D. Tende piedade de nós, Senhor;

T. Tende piedade de nós.

D. Doce Coração de Maria,

T. Sede nossa salvação.


13ª Estação: Jesus é descido da cruz

L1. Junto à cruz estava sua Mãe, a irmã de sua Mãe e Maria Madalena […] e o discípulo que Ele amava (Jo 19, 25-27). Pai, eu rogo por estes, por aqueles que me destes. Ora, eu não estou mais no mundo. Ó Pai santo, conserva-os em teu nome, a fim de que sejam uma só coisa, como nós (Jo 17, 9-11).

D. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos;

T. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

L2. Ama com todas as tuas forças a Deus, que é infinitamente adorável e a seu divino Filho, que quis ser crucificado pela remissão dos nossos pecados. Que sua memória salutar nunca se apague no teu coração. Medita assiduamente os mistérios de sua Paixão e as dores que sofreu sua Santíssima Mãe ao pé da cruz.

D. Tende piedade de nós, Senhor;

T. Tende piedade de nós.

D. Doce Coração de Maria,

T. Sede nossa salvação.


14ª Estação: Jesus é sepultado

L1. Não rogo somente por esses, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. Para que todos sejam um, assim como Tu, Pai, estás em mim e eu em Ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que Tu me enviaste (Jo 17, 20-21).

D. Nós vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos;

T. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.

L2. Contempla a indizível alegria, a riqueza e a glória eterna e grita com todo ardor do teu desejo e do teu amor: “Arrasta-me após ti, ó celeste Esposo! Correrei sem desfalecer até que Tu me introduzas na tua cela inebriante. Até que a tua mão esquerda esteja sob a minha cabeça e a tua direita me abrace com ternura, e tu me fizeres feliz com o ósculo inefável de tua boca”.

D. Tende piedade de nós, Senhor;

T. Tende piedade de nós.

D. Doce Coração de Maria,

T. Sede nossa salvação.


Devocionário Franciscano, p. 193

Meditação bíblica dominical


Domingo de Ramos da Paixão do Senhor

Domingo, 5 de abril de 2020 – Ano A

Oração:

“Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar como ele em sua glória”.


  1. Leitura: Is 50,4-7

Não desviei o meu rosto das bofetadas e cusparadas.

Sei que não serei humilhado.

O texto de hoje traz as palavras do 3º Cântico do Servo Sofredor. É uma figura profética que está entre os judeus exilados na Babilônia. Ele está convencido de ter recebido uma missão da parte de Deus para levar uma mensagem de conforto para os exilados desanimados. O Servo apresenta-se como um discípulo obediente, atento a cada manhã para receber a mensagem divina que deverá transmitir. Mas, para cumprir esta missão enfrentará o desprezo e o sofrimento.

Embora ameaçado de morte pelos adversários, Jesus entra resolutamente em Jerusalém para cumprir sua missão até o fim. Confiando no auxílio divino, Jesus não se deixou abater, mas foi fiel até a morte de cruz; por isso foi glorificado por Deus, que o tornou “Senhor” (2ª leitura).


Salmo responsorial: Sl 21

Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?


  1. Segunda leitura: Fl 2,8-9

Humilhou-se a si mesmo;

por isso, Deus o exaltou acima de tudo.

Jesus, Filho de Deus, podia ter escolhido o caminho do poder, mas esvaziou-se de si mesmo e assumiu a condição de servo. Apresentando-se como quem é “manso e humilde de coração” (Mt 11,29), procurou socorrer os mais necessitados (Mt 27,42). Não se identificou-se com a classe dominante, mas com a maioria das pessoas, sujeitas à dominação, exploradas, desprezadas, marginalizadas; tornou-se solidário com todos os “crucificados” da história humana. Como o Servo do Cântico de Isaías, foi obediente até a morte de cruz. Por isso o Pai o ressuscitou dos mortos. O exemplo de Cristo tornou-se o caminho do cristão.


Aclamação ao Evangelho

Salve, ó Cristo obediente! / Salve, amor onipotente,

que te entregou à cruz/ e te recebeu na luz!


  1. Evangelho: Mt 26,14–27,66

“Ele era mesmo Filho de Deus”.

Jesus não é entregue à morte contra a sua vontade. Ele se entrega nos sinais do pão e do vinho, na doação livre de sua vida, de seu corpo e de seu sangue. Se quisesse pedir, o Pai lhe enviaria em socorro 12 legiões de anjos. Renuncia ao poder e à violência e se entrega humildemente nas mãos do Pai, para que se cumpram as Escrituras (26,53). É traído por Judas e negado por Pedro, que se arrepende. É condenado à morte pelo Sinédrio porque se apresenta como o Cristo e Filho de Deus. Judas entra em desespero e se enforca. Os sumos sacerdotes entregam Jesus a Pilatos, porque só ele podia condenar alguém à morte.

A acusação diante do governador romano é de caráter político, como se vê na pergunta de Pilatos: “Tu és o rei dos judeus”? Sob pressão da multidão, “sabendo que haviam entregue Jesus por inveja”, Pilatos propõe a escolha entre Barrabás e Jesus que chamam de Messias. O povo, instigado pelos sumos sacerdotes, escolhe Barrabás, preso por suas aspirações messiânicas de caráter político, e rejeita o próprio Messias, Servo do Senhor (27,21-22). – Destacam-se algumas afirmações próprias de Mateus: o sonho da mulher de Pilatos (27,19); Pilatos que lava as mãos, responsabilizando a multidão (27,24-25); o terremoto, a cortina do templo que se rasga, e a ressurreição dos mortos na hora da morte de Jesus (27,51b-53). Os judeus zombam de Jesus como Messias (26,68) e os soldados romanos como rei (27,27-31). Nas zombarias, dirigidas a Jesus na cruz aparece o motivo da destruição do Templo (26,60-62), usado como acusação contra Jesus no processo do Sinédrio; os chefes religiosos lembram a ação salvadora de Jesus, mas agora incapaz de salvar-se a si mesmo; a confiança de Jesus em Deus, que agora abandona seu Filho; a confissão do centurião romano que diz: “Ele era mesmo Filho de Deus”. Por fim, os guardas que os sumos sacerdotes colocam como vigias junto ao túmulo, para que o corpo de Jesus não fosse roubado pelosa discípulos.


Frei Ludovico Garmus, Ofm
Biblista e escritor

Papa Francisco: Abraçar o Senhor para abraçar a esperança

Cidade do Vaticano – Abraçar o Senhor para abraçar a esperança: esta é a mensagem do Papa Francisco aos fiéis de todo o mundo que, neste momento, se encontram em meio à tempestade causada pela pandemia do coronavírus.

Homilia integral

Confira na íntegra a homilia que o Papa Francisco pronunciou no momento extraordinário de oração pelo fim da pandemia de coronavírus.

MOMENTO EXTRAORDINÁRIO DE ORAÇÃO
EM TEMPO DE EPIDEMIA

PPRESIDIDO PELO PAPA FRANCISCO

Adro da Basílica de São Pedro
Sexta-feira, 27 de março de 2022

«Ao entardecer…» (Mc 4, 35): assim começa o Evangelho, que ouvimos. Desde há semanas que parece o entardecer, parece cair a noite. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos. À semelhança dos discípulos do Evangelho, fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda. Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos. Tal como os discípulos que, falando a uma só voz, dizem angustiados «vamos perecer» (cf. 4, 38), assim também nós nos apercebemos de que não podemos continuar estrada cada qual por conta própria, mas só o conseguiremos juntos.

Rever-nos nesta narrativa, é fácil; difícil é entender o comportamento de Jesus. Enquanto os discípulos naturalmente se sentem alarmados e desesperados, Ele está na popa, na parte do barco que se afunda primeiro… E que faz? Não obstante a tempestade, dorme tranquilamente, confiado no Pai (é a única vez no Evangelho que vemos Jesus a dormir). Acordam-No; mas, depois de acalmar o vento e as águas, Ele volta-Se para os discípulos em tom de censura: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (4, 40).

Procuremos compreender. Em que consiste esta falta de fé dos discípulos, que se contrapõe à confiança de Jesus? Não é que deixaram de crer N’Ele, pois invocam-No; mas vejamos como O invocam: «Mestre, não Te importas que pereçamos?» (4, 38) Não Te importas: pensam que Jesus Se tenha desinteressado deles, não cuide deles. Entre nós, nas nossas famílias, uma das coisas que mais dói é ouvirmos dizer: «Não te importas de mim». É uma frase que fere e desencadeia turbulência no coração. Terá abalado também Jesus, pois não há ninguém que se importe mais de nós do que Ele. De facto, uma vez invocado, salva os seus discípulos desalentados.

A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade. A tempestade põe a descoberto todos os propósitos de «empacotar» e esquecer o que alimentou a alma dos nossos povos; todas as tentativas de anestesiar com hábitos aparentemente «salvadores», incapazes de fazer apelo às nossas raízes e evocar a memória dos nossos idosos, privando-nos assim da imunidade necessária para enfrentar as adversidades.

Com a tempestade, caiu a maquilhagem dos estereótipos com que mascaramos o nosso «eu» sempre preocupado com a própria imagem; e ficou a descoberto, uma vez mais, aquela (abençoada) pertença comum a que não nos podemos subtrair: a pertença como irmãos.

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Nesta tarde, Senhor, a tua Palavra atinge e toca-nos a todos. Neste nosso mundo, que Tu amas mais do que nós, avançamos a toda velocidade, sentindo-nos em tudo fortes e capazes. Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora nós, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: «Acorda, Senhor!»

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Senhor, lanças-nos um apelo, um apelo à fé. Esta não é tanto acreditar que Tu existes, como sobretudo vir a Ti e fiar-se de Ti. Nesta Quaresma, ressoa o teu apelo urgente: «Convertei-vos…». «Convertei-Vos a Mim de todo o vosso coração» (Jl 2, 12). Chamas-nos a aproveitar este tempo de prova como um tempo de decisão. Não é o tempo do teu juízo, mas do nosso juízo: o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é. É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros. E podemos ver tantos companheiros de viagem exemplares, que, no medo, reagiram oferecendo a própria vida. É a força operante do Espírito derramada e plasmada em entregas corajosas e generosas. É a vida do Espírito, capaz de resgatar, valorizar e mostrar como as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros e enfermeiras, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho. Perante o sofrimento, onde se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos, descobrimos e experimentamos a oração sacerdotal de Jesus: «Que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos! A oração e o serviço silencioso: são as nossas armas vencedoras.

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» O início da fé é reconhecer-se necessitado de salvação. Não somos autossuficientes, sozinhos afundamos: precisamos do Senhor como os antigos navegadores, das estrelas. Convidemos Jesus a subir para o barco da nossa vida. Confiemos-Lhe os nossos medos, para que Ele os vença. Com Ele a bordo, experimentaremos – como os discípulos – que não há naufrágio. Porque esta é a força de Deus: fazer resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas ruins. Ele serena as nossas tempestades, porque, com Deus, a vida não morre jamais.

O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade, convida-nos a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar. O Senhor desperta, para acordar e reanimar a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na sua cruz, fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor. No meio deste isolamento que nos faz padecer a limitação de afetos e encontros e experimentar a falta de tantas coisas, ouçamos mais uma vez o anúncio que nos salva: Ele ressuscitou e vive ao nosso lado. Da sua cruz, o Senhor desafia-nos a encontrar a vida que nos espera, a olhar para aqueles que nos reclamam, a reforçar, reconhecer e incentivar a graça que mora em nós. Não apaguemos a mecha que ainda fumega (cf. Is 42, 3), que nunca adoece, e deixemos que reacenda a esperança.

Abraçar a sua cruz significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de omnipotência e possessão, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. Significa encontrar a coragem de abrir espaços onde todos possam sentir-se chamados e permitir novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade. Na sua cruz, fomos salvos para acolher a esperança e deixar que seja ela a fortalecer e sustentar todas as medidas e estradas que nos possam ajudar a salvaguardar-nos e a salvaguardar. Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança. Aqui está a força da fé, que liberta do medo e dá esperança.

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Queridos irmãos e irmãs, deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de vos confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo desça sobre vós, como um abraço consolador, a bênção de Deus. Senhor, abençoa o mundo, dá saúde aos corpos e conforto aos corações! Pedes-nos para não ter medo; a nossa fé, porém, é fraca e sentimo-nos temerosos. Mas Tu, Senhor, não nos deixes à mercê da tempestade. Continua a repetir-nos: «Não tenhais medo!» (Mt14, 27). E nós, juntamente com Pedro, «confiamos-Te todas as nossas preocupações, porque Tu tens cuidado de nós» (cf. 1 Ped 5, 7).

Do vencer-se a si mesmo

Legenda dos Três Companheiros

Capítulo IV – “Como a partir dos leprosos”


O beijo no leproso

“Como a partir dos leprosos começou a vencer-se a si mesmo e a sentir doçura naquelas coisas que antes lhe eram amargas.”

Escute e leia o capítulo na íntegra:


Capítulo IV (texto-fonte)

Leia e escute o texto-fonte do Capítulo IV como está presente também nas Fontes Franciscanas.

Escute o texto-fonte do Capítulo IV


Capítulo IV (Questionamento)

Siga estes passos para a reflexão. As perguntas o ajudarão e o guiarão no caminho da meditação franciscana. Depois delas, leia e ouça novamente o Capítulo. Boa reflexão!

  • Leia e escute o texto atentamente. Atentamente significa fisicamente, palavra por palavra, frase por frase, sentença por sentença, assim como faz o professor, por exemplo, quando corrige uma redação;
  • Procure ver como o texto se estrutura e se ordena. Ele pode ser dividido em partes? Quais? Qual o fio condutor que liga e movimenta todo o texto?

Escute o Questionamento do Capítulo IV


Capítulo IV (Do vencer-se a si mesmo)

Introdução

“O itinerário religioso é lento e gradual. Por isso, tem que ser percorrido passo por passo e constantemente. A saída do mundo secular e o ingresso na via religiosa e franciscana, com tudo o que isto implica e exige, constitui-se num longo tirocínio, com etapas, passos e exercícios precisos e bem caracterizados.”

(…)

Escute a Introdução


Capítulo IV (Do vencer-se a si mesmo)

Da origem do vencer-se a si mesmo

“No final do capítulo anterior, os autores apresentam Francisco retornando de Roma, da peregrinação que fizera ao túmulo de São Pedro e São Paulo, os primeiros seguidores e mártires de Jesus Cristo, protótipos da pobreza evangélica.”

(…)

Escute: Da origem do vencer-se a si mesmo

Capítulo IV (Do vencer-se a si mesmo)

De como Francisco cresce na arte do vencer-se a si mesmo

“Logo após a primeira vitória que Francisco obtém sobre si mesmo, os autores passam a descrever mais um exercício que ele empreende na busca e na consolidação, nesta difícil arte do vencer-se a si mesmo.”

(…)

Escute: De como Francisco cresce na arte do vencer-se a si mesmo
Escute: De como Francisco cresce na arte do vencer-se a si mesmo (continuação)


Capítulo IV (Do vencer-se a si mesmo)

Conclusão

“De “como Francisco começou a vencer-se a si mesmo”, indica um importante passo do itinerário franciscano. O título poderia ser também: Como Francisco, a partir da resposta recebida do Senhor, ardia inflamado interiormente de um fogo divino.”

(…)

Escute a Conclusão

Capítulo IV (Exercícios)

“Diz a legenda, no início deste capítulo, que Francisco “orava fervorosamente ao Senhor” (11). Orar fervorosamente ao Senhor para descobrir. entender e bem acolher a inspiração vocacional é, certamente, um importante e indispensável trabalho para uma boa iniciação na vida religiosa.”

(…)

Escute os Exercícios do Capítulo IV

Testemunhos em tempos de isolamento

E a quarentena continua…

Queridos irmãos, paz e bem!
Com ela, os momentos de reflexões, os encontros com o Pai, o aconchego da família, bases que sustentam nossa caminhada na fé e renovam nossas esperanças. (Ir. Angela)

Alguns irmãos partilharam suas experiências e conclusões:

“Tempo de reflexão, com pena dos homens que não notam os sinais de Deus!

E foram muitos.

Nosso tempo é todo de Deus!

Cada vez mais, precisamos dizer: – Se Deus quiser, realizamos tal coisa!

Ir. lucia estrella

” Seu coração pode por alguns momentos deixar-se enganar por tantas palavras de incredulidade que todos os dias são ditas ao seu redor.
Contudo, Aquele que habita no seu ser maravilhoso, o Espírito de Deus, vai ensinando que a palavra de Deus é a mais preciosa certeza que precisamos ter para continuar de pé até o fim.
Ele revela o poder do Filho de Deus “

Ir. Maria Lucia

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DIA 25 DE MAIO FOI O ANIVERSÁRIO DO MEU FILHO, 15 ANOS!

NÃO CONVIDAMOS NINGUÉM, DEVIDO A QUARENTENA.

FIZEMOS UMA COMEMORAÇÃO SOMENTE COM A NOSSA PEQUENA FAMÍLIA, PARA NOS PRESERVARMOS

(Ir. marco antônio)

Tempo…


Tempo de ficar quieta, em silêncio, em Deus.

Tempo de orações e reflexões que permitam

Deus ser mais Deus em mim.

Tempo de pedir perdão e perdoar.

Tempo de permanecer na barca, confiante e

forte, porque Ele está conosco.

Irmã Angela


Viver…

Viver esta quarentena é descobrir que Deus sempre manda sinais, mas nossa correria do dia a dia não nos deixa perceber o quanto ele é Misericordioso! Seja na alegria, seja na dor. É sempre assim!!!

Irmã Lúcia Estrella

Tivoli, Itália

Flor de quaresmeira…

“Essa flor de quaresmeira caiu… enquanto eu varria o quintal”

“Neste momento de afastamento social, estou me sentindo como a flor solitária da quaresmeira, desprendida do ramo maior (dos irmãos, amigos e familiares). Tenho procurado me manter em oração e reflexão, com a esperança de que esse momento trará mudanças para cada um de nós. Que nos tornemos novas criaturas, pois sabemos que até do mal Deus prepara um bem maior. Confiemos. Paz e Bem!”

Irmã Iêda (Ministra)


Alegria que nos aproxima…

Irmã Carmen

Refletindo sobre os acontecimentos…

“Paz e bem.
Nestes dias sem poder sair de casa, fiquei nervosa e com medo. Mas conseguimos em família rezar a via sacra. Refletindo sobre os acontecimentos, vejo que tudo isso que estamos passando é para o nosso crescimento e está sendo um grande aprendizado. Temos que ter fé em Deus e acreditar que tudo isso vai passar; e logo alcançaremos vitória e louvaremos a Deus por estes dias de confinamento, pois vivenciando-os passamos a dar valor as nossas famílias e aos amigos. Que Deus nos abençoe e nos proteja!”

Irmã Nilza

Unidos pela Fé…

Irmão Marcos Antonio

Nosso Porto Seguro é Cristo…

“A nossa casa é o Porto Seguro onde vivemos as nossas alegrias e tristezas, compartilhando e seguindo a nossa caminhada em Cristo. Estamos passando por esta crise com tranquilidade e paz, pedindo a Deus por nós e por esse mundo que não pode perder a fé e a esperança, nesse momento tão especial. Amém!”

Irmão Walter e Irmã Helena