Santo Antônio de Pádua

Modelo de coerência e caridade

Santo Antônio de Pádua nasceu em 15 de agosto de 1195, de família nobre e rica, recebeu no batismo o nome de Fernando de Bulhões.

Iniciou sua vida religiosa no Mosteiro de São Vicente dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho em Lisboa, mas desejando aprofundar sua vida de oração e estudo da Palavra, solicitou transferência para Coimbra, onde após a chegada das relíquias de cinco mártires franciscanos, mortos em Marrocos, sente em seu coração o desejo de imitá-los ingressando então, na Ordem dos Frades Menores, recebendo o nome de Frei Antônio.

Sua vida foi marcada pela busca da coerência entre vida e pregação, em uma de suas pregações disse: “A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras.”.

Foi um grande pregador, tinha o dom da Palavra e vasto conhecimento das Sagradas Escrituras. Suas pregações e testemunho convertiam muitas pessoas, buscava combater o egoísmo, demonstrava grande compaixão aos pobres e exercia com muita humildade a graça deste dom que Deus o concedera, pregava inspirado pelo Espírito Santo e não pelas suas ideias.

Ao contemplarmos a vida de Santo Antônio, somos convidados a praticar a caridade, o amor a Maria Imaculada, a quem tinha grande devoção, a humildade, obediência e fidelidade aos projetos de Deus.

Peçamos a Deus, por intercessão de Santo Antônio, a graça de nunca nos faltar o pão que alimenta o corpo e principalmente o Pão que alimenta a alma.

Santo Antônio, rogai por nós!

Irmã e Irmão Lilian e Gustavo


Irmã e Irmão Lilian e Gustavo e seus dois filhos

Entrevista com Viviane Noel

Ouça a entrevista aqui:

LEGENDA DOS TRÊS COMPANHEIROS – CAPÍTULO V Psalasyn

DA PRIMEIRA ALOCUÇÃO DO CRUCIFIXO   
  1. LEGENDA DOS TRÊS COMPANHEIROS – CAPÍTULO V
  2. ENTREVISTA COM VIVIANE NOEL
  3. DE UMA ANTIGA HOMILIA DO SÁBADO SANTO
  4. DOMINGO DE PÁSCOA
  5. SÁBADO SANTO VIGÍLIA

Prepare o seu coração para as belezas que eu vou contar!

Deixe-se tocar pela beleza das poesias franciscanas!

Participe do 1º Concurso de Poesia Franciscana!

OLÁ, COMO VAI? EU SOU FREI ADEMIR! PAZ E BEM!

Temos a imensa alegria de ter entre nós a poetisa VIVIANE NOEL, Petropolitana. Ela fará parte do júri do 1º Concurso de Poesia Franciscana.

Viviane é Formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação, uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano.

Viviane Noel

É Autora dos livros “Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza”; “O Travesseiro Mágico”, um infantil que ganhou vida também nos palcos; “Ouse Escutar a Voz do Seu Coração – um livro para refletir e colorir” e “Rosas para Maria!”.

É integrante da Satura Companhia de Teatro, atuando como dramaturga. Atua também como terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

Viviane, a Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos de Petrópolis te acolhe de coração com simplicidade e gratidão, seja muito bem-vinda!

As perguntas foram elaboradas pela Ir. Carmen da Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos, Confira:

Senhora dos Anjos: Descreva o que é Poesia no seu olhar de poetisa.

“Poesia para mim é olhar o mundo

Com olhar profundo!

É contemplar toda a criação e a sua diversidade

Com maravilhamento e simplicidade!

É transformar os sentimentos em cada verso

E resinificar todo o universo!”

Viviane

Senhora dos Anjos: Quando você se descobriu no mundo da poesia?

“Eu me descobri no mundo da poesia ainda na infância,

Aprendi a ler e a escrever e logo surgiu essa ânsia!

Não sinto que tenha tido um tempo de começo marcado,

Quando eu me dei conta, meu coração já tinha sido laçado!”

Viviane

Senhora dos Anjos: No mundo atual existe lugar real para poesia?

“Sempre haverá lugar no mundo para a poesia,

Nosso planeta não pode viver sem essa magia!

A poesia traz um deleite necessário à alma,

Ela é bela, sincera, traz calma!

Ela também pode vir como um trovão,

Quebrando paradigmas e desafiando a razão!

O importante é que ela venha

E que nada a detenha!”

Viviane

Senhora dos Anjos: Suas poesias são só na linha franciscana?

“Não, minhas poesias não são numa única linha, elas são na linha da vida,

E de cada coisa nela envolvida!

Das poesias franciscanas às poesias personalizadas que faço para qualquer ocasião,

O importante é tocar o coração!”

Viviane

Senhora dos Anjos: Algum fato a levou nessa escolha, nesse caminho de Francisco de Assis nas suas poesias?

“Conhecer Francisco e sua interação com cada ser

Foi o que me fez estarrecer!

Para mim, ele é o maior poeta da criação!

Escrever sobre ele me pareceu uma missão!

Não que ele pudesse caber em qualquer palavra dita ou escrita,

Mas como não falar de uma alma tão bonita?”

Viviane

Senhora dos Anjos: O que você diria a outro jovem que está querendo tb. trilhar nesse caminho?

“Eu diria que trilhar esse caminho

É ouvir o coração com carinho!

É um caminho que vai na contramão da nossa sociedade tão doente,

Mas não esquente!

Seja livre para contemplar e falar do feio e do belo,

Crie com a vida um elo!

Reivindique por meio da poesia

O direito a uma boa dose de alegria!”

Viviane

Senhora dos Anjos: O que é, e quem é São Francisco de Assis na vida da Viviane e na vida da poetisa?

“Francisco de Assis na minha vida

É a pessoa mais querida!

Seja na vida pessoal ou profissional,

A presença dele é fundamental!

Por meio de sua interação com a natureza e com todos os seres da criação,

Eu fui percebendo Deus em cada irmão!

De todas as poesias do universo,

Para mim, Francisco é o mais belo verso!”

Viviane

Senhora dos Anjos: Viviane e poetisa andam juntas?

“Sim, andam juntas na alegria e na dor,

No espinho e no desabrochar da flor!

Não sei como me manifestar de forma diferente,

Não seria coerente!

A poesia resinifica o meu olhar

E me faz mais aberta a amar!”

Viviane

Viviane, a Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos de Petrópolis mais uma vez agradece a sua generosidade em dar essa entrevista, em fazer parte do júri do 1º Concurso de Poesia Franciscana, e a parabeniza por seu belíssimo trabalho artístico como poetisa franciscana!

Paz e Bem!

Ecoteologia e Integralidade

Inicialmente, trago Jorge Mario Bergoglio, teólogo e filosofo que foi reitor da Faculdade de Filosofia e Teologia de São Miguel, entre outros títulos. No dia no dia 13 de março de 2013 foi eleito Papa onde escolheu o título de Francisco em homenagem à São Francisco de Assis.

Ir. Roney Martinho Pinheiro

Sendo assim, em 18 de março de 2015 lançou para o mundo uma carta encíclica “Laudato Sí” e nos traz a reflexão de integralidade do planeta, ou seja, somos corresponsáveis diretos neste processo do cuidado pela perpetuação humana.

Ademais, com o termo “nossa casa comum” conclama a todos seres viventes racionais para situação atual o esgotamento dos recursos naturais. “Água potável e limpa constitui uma questão de primordial importância, porque é indispensável para vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestre e aquáticos.” (LS cap.2 p.24) Por conseguinte, o meio é um bem coletivo, patrimônio de toda humanidade e responsabilidade de todos.

Nesse ínterim, não consigo desassociar o que a humanidade está vivenciando(pandemia), ao que a nossa mãe terra está sentindo. Contudo, durante esses anos, com a exploração e degradação que causamos, ainda com nosso consumo desenfreado aos recursos naturais não renováveis.

Diante disso, temos pontos positivos e fraternos, experimentar globalmente os mesmos sentimentos em circunstância parecida nos torna mais empáticos com nossa própria dor e com a dor do outro. Estamos unidos por laços invisíveis e formamos uma espécie de família universal além de caracterizarmos, nos integra ao todo.

Assim sendo, uma mensagem de Assis: “Bem-aventurado o servo que se encontra tão humilde entre os seus súditos como se estivesse entre seus senhores. Bem-aventurado o servo que sempre permanece sob a vara da correção. Servo fiel e prudente (cf. Mt 24,45) é aquele que, em todas suas ofensas, não tarda em punir-se interiormente pela contrição e exteriormente pela confissão e pela reparação da obra.” (Escritos de São Francisco – Vozes 2009 p.43) é tempo de repararmos a obra.

Irmão Roney Martinho Pinheiro, Teólogo

Membro da Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos

Foto por Min An em Pexels.com

Meditação Bíblica Dominical

Santíssima Trindade – Ano A

Domingo da Santíssima Trindade, 07 de junho de 2020

Oração: “Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito santificador, revelastes o vosso inefável mistério. Fazei que, professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente”.


Primeira leitura: Ex 34,4b-6.8-9

Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente.

Nos textos bíblicos Moisés é apresentado como alguém que tem grande familiaridade com Deus. Deus falava “face a face” com Moisés. Depois destes diálogos íntimos com Deus, quando Moisés voltava para junto do povo seu rosto brilhava, iluminado por uma luz misteriosa (Ex 34,29-35). Nem sempre foi assim. Por exemplo, quando Moisés voltou a primeira vez ao acampamento dos israelitas, trazendo as tábuas da Lei do alto do monte Sinai, encontrou o povo revoltado, adorando um ídolo. Cheio de indignação, quebrou as tábuas da Lei. Mesmo assim intercedeu em favor do povo pecador. Recebeu, então, nova ordem de subir até o monte, para receber as novas placas da Lei. A primeira leitura narra o novo encontro com Deus e a linda súplica que Moisés então proferiu. Deus, então, se revela a Moisés como um “Deus misericordioso, paciente, rico em bondade e fiel”. Moisés precisava aprender. Percebe como estava ainda distante deste Deus misericordioso e sente-se incapaz de liderar um povo de cabeça dura. Pede, então, que Deus lhe conceda um pouco de sua misericórdia, bondade e paciência, e suplica que não o deixe sozinho nem abandone o povo que escolheu: “Caminha conosco… perdoa nossas culpas… acolhe-nos como propriedade tua”.

É a fé que nos ajuda a descobrir, em meio aos sofrimentos e provações que se abatem sobre nossas vidas, um Deus misericordioso, que nos perdoa, caminha conosco e nos acolhe como seus filhos e filhas. Esse Deus foi Jesus quem nos revelou.


Salmo responsorial: Dn 3

A vós louvor, honra e glória eternamente!


Segunda leitura: 2Cor 13,11-13

A graça de Jesus Cristo, o amor de Deus

e a comunhão do Espírito Santo.

A leitura de hoje traz a conclusão da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios. Nela o apóstolo, como de costume, trata de problemas a serem corrigidos. Mas um dos temas principais da carta é a uma coleta para os cristãos pobres da Judeia que Paulo promovia entre as comunidades por ele fundadas. Várias comunidades colaboraram com generosidade, mas a de Corinto se omitiu. A conclusão contém cinco imperativos que resumem o esforço da vida cristã a ser feita pelos coríntios: “Alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz…”. Havia divisões na comunidade que perturbavam a paz na igreja de Corinto. Por isso Paulo convida a restabelecer a união com gestos simples: “Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo”. O texto conclui-se com um voto para que tudo seja vivido na comunhão com a Trindade Santíssima: “A graça do Senhor Jesus Cristo (Filho), o amor de Deus (Pai) e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós”. É a saudação do sacerdote no início da missa.


Aclamação ao Evangelho

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Divino,

ao Deus que é, que era e que vem, pelos séculos. Amém.


Evangelho: Jo 3,16-18

Deus enviou seu filho ao mundo,

para que o mundo seja salvo por ele.

O evangelho, aludindo ao sacrifício de Isaac (“filho único”) por Abraão, proclama que a obra realizada por Cristo (Filho de Deus) manifesta o plano do amor do Pai para com a humanidade. Quem acolhe este plano de amor é salvo; quem o rejeita, é condenado. Deus, porém, não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas quer que o mundo seja salvo por ele. A condição para a salvação é a fé em Cristo Jesus, Filho de Deus.

Deus enviou seu Filho ao mundo para revelar seu plano de amor, que é “graça e verdade” (Jo 1,17). Deus é “compassivo e misericordioso, lento para a cólera, rico em bondade e fidelidade” (1ª leitura). Este Deus que é Amor, “ninguém jamais viu. O Filho único de Deus, que está junto ao Pai, foi quem no-lo deu a conhecer” (Jo 1,18), pois quem vê Jesus, vê a Deus Pai (Jo 14,9). É como se diz em família: “Ela é a cara da mãe e ele é a cara do pai”. O mistério que nos envolve, hoje, é o da unidade do Pai e do Filho, no seu amor para com a humanidade. Esta unidade no amor, para dentro e para fora, é o Espírito Santo (Santo Agostinho). Pela fé e pelo amor que vivemos somos introduzidos no mistério da Santíssima Trindade: “Se alguém me ama, guarda a minha palavra; meu Pai o amará, e viremos a ele e nele faremos morada” (Jo 14,23).

Frei Ludovico Garmus, Ofm
Biblista e escritor

Meditação bíblica dominical

Tempo da Páscoa – Ano A

Solenidade de Pentecostes, 31 de maio de 2020

Oração: “Ó Deus que, pelo mistério da festa de hoje, santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo, e realizai agora no coração dos fiéis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho”.

  • Primeira leitura: At 2,1-11

Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar.

João coloca a doação do Espírito Santo no dia da Páscoa, quando Jesus ressuscitado aparece aos apóstolos reunidos no Cenáculo (Evangelho). O evangelho de Lucas (cap. 24), também, situa no mesmo dia as manifestações de Jesus Ressuscitado aos discípulos de Emaús e aos apóstolos, concluindo com a promessa do Espírito Santo e a Ascensão de Jesus ao céu. Nos Atos dos Apóstolos, porém, a Ascensão acontece quarenta dias após a Páscoa e, dez dias depois, na festa judaica de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo. Na origem, Pentecostes era uma festa agrícola ligada à colheita do trigo, celebrada sete semanas após a festa da Páscoa. Era uma festa de peregrinação. Nesta festa o israelita devia comparecer diante de Deus e apresentar os primeiros frutos da colheita do trigo. No II século a.C., a festa de Pentecostes passou a comemorar a promulgação da Lei de Moisés no Sinai, feita 50 dias após a saída do Egito (cf. Ex 19,1-16). Na teofania do Sinai, a descida de Deus era acompanhada por “trovões, relâmpagos (…), fortíssimo som de trombetas (…) em meio ao fogo” (Ex 19,16-19). Rabi Johanan dizia a respeito: A voz divina “saiu e se repartiu em setenta vozes ou línguas, de modo que todos os povos a entendessem; e cada povo ouviu a voz em sua própria língua”. Lucas conhecia tal tradição. Por isso fala que a doação do Espírito se dá em meio a um “barulho” e “forte ventania”. Com a voz do Sinai, repartida em setenta línguas, a Lei de Moisés tornou-se conhecida em todo o mundo e unia os judeus dispersos no Império Romano. Agora, a partir de Jerusalém (At 1,8), também o Evangelho é pregado a todos os povos, citados em nosso texto. A diversidade das línguas nas quais cada um entendia a mensagem do Evangelho é um convite aos apóstolos e discípulos, impulsionados pelo Espírito Santo, a levarem a mensagem de Jesus a todos os povos e culturas. Quando Lucas escreve, de certa forma, todos os povos do Império Romano estão ouvindo a mensagem do Evangelho, levada pelos discípulos e discípulas que aprenderam ou conheciam suas línguas.


  • Salmo responsorial: Sl 103

Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai.


  • Segunda leitura: 1Cor 12,3b-7.12-13

Fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo.

Paulo fala longamente para a comunidade de Corinto sobre os dons do Espírito Santo (1Cor 11,2-16; 12,1–14,39). Sem estes dons, nada podemos fazer, nem mesmo dizer: “Jesus é o Senhor”. Os dons ou “carismas” são “atividades”, serviços ou manifestações do Espírito “em vista do bem comum”; cada membro presta serviço para o bem do mesmo corpo. Paulo usa a imagem do corpo que tem muitos membros, mas forma uma única unidade. O Espírito nos unifica num só Corpo com o Cristo: “judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito”. O Espírito Santo distribui seus dons ou carismas em vista do bem da comunidade, e não para distinguir esta ou aquela pessoa. A manifestação do Espírito se dá em todos os membros da comunidade. Não é privilégio do clero, dos religiosos ou de “grupos carismáticos”. O projeto imperial de Babel era de impor o domínio, unindo todas as raças e culturas por meio de uma só língua (Gn 11,1-9: primeira leitura da Vigília). Deus, porém, pôs fim a tal domínio, multiplicando as línguas e culturas. É na diversidade de línguas e culturas que Deus quer ser louvado e adorado. Em Pentecostes Deus refaz a unidade pela mensagem do Evangelho, a ser anunciado a todos os povos, preservando, porém, as diferentes culturas e raças. O que nos une é a linguagem do amor a Deus e ao próximo (Evangelho).


  • Aclamação ao Evangelho:

Vinde, Espírito Divino e enchei com vossos dons os corações dos fiéis; e acendei nele o amor como um fogo abrasador.

  • Evangelho: Jo 20,19-23

Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio: Recebei o Espírito Santo!

No domingo da Ascensão ouvimos, no evangelho de Lucas, que Jesus prometia aos discípulos enviar-lhes a “força do alto”, o Espírito Santo, antes de começarem a anunciar “a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações”. Hoje, segundo João, Jesus no dia de sua ressurreição, se manifesta aos discípulos e concede o dom do Espírito Santo e a paz. Depois de lhes dizer “a paz esteja convosco”, Jesus se identifica, mostrando-lhes as mãos e o lado perfurados. Ele é o mesmo Jesus crucificado, que cumpriu sua missão, a obra de nossa salvação e volta ao Pai (Jo 20,17). Antes, porém, deixa-nos a tarefa de continuar a sua missão: “Como o Pai me enviou também eu vos envio”. Ao voltar para junto do Pai, Jesus promete estar sempre conosco: “Eis que estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). A presença de Cristo se dá pelo seu Espírito, o Advogado e Consolador, que estará sempre ao lado de seus discípulos. Pelo dom de sua vida Jesus nos reconciliou com Deus, manifestando o amor misericordioso do Pai. O presente da Páscoa que nos deixa é o Amor: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados”. Agora confia aos seus discípulos a missão de manifestar este mesmo amor misericordioso: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados…”. O perdão dado e recebido reconstrói os vínculos do Amor, reconstrói a paz. “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”, que é Amor (Mt 5,9). Nossa missão é vivermos o que anunciamos aos outros. Para isso recebemos a “força do alto”, o Espírito Santo.


Frei Ludovico Garmus, Ofm
Biblista e escritor

A Caverna de Francisco

Formação Permanente

Irmã Iêda (ministra)

Petrópolis, 26 de maio. A nossa fraternidade, Nossa Senhora dos Anjos, seguindo as orientações do Regional, driblou as dificuldades e os obstáculos da realização de reunião remota, e realizou sua formação em encontros com pequenos grupos, liderados por um irmão que fora preparado num treinamento virtual com o nosso assistente espiritual, frei  Ademir, responsável também pela elaboração do material utilizado, que teve  como tema:  A Caverna de São Francisco, reflexão a partir da leitura do capítulo IV, do livro “Legenda dos Três Companheiros”.

A ideia de subgrupos se deu, em função das dificuldades dos irmãos idosos que, com pouca familiaridade com as novas tecnologias, não seria possível a utilização de aplicativo que reunisse a totalidade da fraternidade; sendo assim utilizamos a vídeo chamada do WhatsApp, aplicativo do domínio de todos.

Esses encontros aconteceram no período de 08 a 18 de maio. Esses dias foram de grande alegria, dias de matar saudades, de se formar, firmar no nosso carisma, na nossa espiritualidade, no ser Igreja e no nosso ideal franciscano de vida.

Enfim, vivemos tempos difíceis, mas não podemos parar; temos que usufruir de outras formas que nos permitam continuar nessa caminhada, até voltarmos aos encontros presenciais. Segue abaixo alguns relatos desses encontros, onde tive o privilégio de participar de cada um, com o objetivo de saudar, acolher e confraternizar com os irmãos que estavam distantes.

Irmã Iêda Monteiro da Cruz (ministra)


“… São Francisco intercedendo ao Pai por nós, pela humanidade, que tanto está precisando de luz, sabedoria e muita paciência. Que nos dê a sua paz e que possamos partilhar o seu bem. E que um novo amanhã chegue logo.”

                                                                 Irmã Carmen Fraga, do grupo do irmão Marcos


“… Sozinhos em nossas cavernas, no silêncio do nosso quarto, face a face com o Outro, aprendemos o valor da comunhão, da vida de fraternidade, na medida em que sentimos falta do convívio e, aprendemos o valor e a necessidade de viver nossa solidão, para nos conhecermos melhor e sermos um indivíduo inteiro, sincero, veraz e transparente no caminho que escolhemos.”

                                                              Parte da reflexão do grupo liderado pela irmã Angela

Meditação bíblica

Tempo pascal – Ano A

3º Domingo depois da Páscoa, 26 de abril de 2020


A ceia de Emaús, de Matthias Stom, Museu Thyssen-Bornemisza.

Oração: “Ó Deus, que o vosso pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição”.

  1. Primeira leitura: At 2,14.22-33

Não era possível que a morte o dominasse.

No dia de Pentecostes os judeus comemoravam em Jerusalém a doação da Lei de Moisés. Na mesma ocasião estavam reunidos em Jerusalém, também, os apóstolos com dezenas de discípulos e discípulas, no monte Sião. A comunidade estava reunida em oração, com portas e janelas fechadas, por medo dos judeus. De repente, houve um forte ruído do céu, acompanhado de um vento impetuoso e línguas de fogo, enchendo toda a casa onde os discípulos estavam reunidos. Era a manifestação do Espírito Santo prometida por Jesus, antes de sua ascensão ao céu (Lc 24,48). Muitos judeus peregrinos acorreram ao lugar para ver o que estava acontecendo. Em meio a uma imensa alegria, abrem-se as portas e janelas e os discípulos saem da casa. Pedro, então, toma a palavra para explicar ao povo o sentido de tudo o que estava acontecendo. Em seu discurso, Pedro dirige-se aos ouvintes judeus (v. 22-24) e anuncia o “querigma”, isto é, a proclamação da paixão, morte e ressurreição de Jesus, que visa levar os ouvintes à conversão e à fé em Jesus. Os acontecimentos do “querigma” pascal são pura iniciativa de Deus, nome repetido quatro vezes. A ação divina por meio de Jesus é pública: “tudo isso vós mesmos o sabeis”, porque as coisas aconteceram “entre vós”. Mas, a ressurreição de Jesus é presenciada e vivida apenas pelas testemunhas qualificadas (v. 32), os apóstolos e as 120 pessoas reunidas no cenáculo com eles. Pedro cita o salmo 15, argumentando que Davi fala profeticamente da ressurreição de Jesus, “que vós o matastes, pregando-o numa cruz” (v. 25-33). Deus Pai ressuscitou Jesus dentre os mortos (cf. Lc 9,21-22.43-45; 18,31-34) e o exaltou à sua direita na glória do céu. O Pai concedeu a Jesus o Espírito Santo que havia prometido, e Jesus o derramou sobre as testemunhas de sua ressurreição. Os ouvintes estavam presenciando a ação do Espírito Santo derramado sobre as testemunhas.


Salmo responsorial: Sl 15 (16)

            Vós me ensinais vosso caminho para a vida;

            junto de vós felicidade sem limites!


  • Segunda leitura: 1Pd 1,17-21

Fostes resgatados pelo precioso sangue de Cristo,

Cordeiro sem mancha!

Desde antes da criação do mundo Deus nos amou e no fim dos tempos enviou seu próprio Filho para nos salvar. Não foi com ouro ou prata que Cristo nos resgatou do pecado e da morte, mas com seu próprio sangue, entregando sua vida como máxima prova de amor. Mas Deus o ressuscitou dos mortos – diz Pedro – e por isso alcançamos a fé em Deus. Pela fé estamos firmemente ancorados em Deus, porque nossa fé e esperança estão guardadas no coração de nosso Deus. É o que cantamos no Salmo responsorial: “Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio”.


Aclamação ao Evangelho

Senhor Jesus, revelai-nos o sentido da Escritura;

Fazei o nosso coração arder, quando falardes.


  • Evangelho: Lc 24,13-35

Reconheceram-no ao partir o pão.

Lucas coloca três narrativas relacionadas com a ressurreição de Jesus, todas, no primeiro dia da semana, dia especial em que os cristãos celebravam a ressurreição do Senhor (cf. At 20,7). Na primeira, conta como as mulheres, discípulas de Jesus que o acompanhavam desde a Galileia (Lc 8,1-3), e estavam presentes junto à cruz (23,55), dirigem-se ao túmulo levando perfumes, mas não encontram o corpo de Jesus. Dois anjos lhes explicam que o túmulo está vazio porque Jesus ressuscitou, como havia dito. Elas levam a notícia aos discípulos. Mas eles não acreditam na explicação dada pelos anjos. Pedro, no entanto, vai conferir o túmulo vazio e fica apenas admirado. Segue, então, a narrativa sobre os discípulos de Emaús, que hoje escutamos. Após a manifestação do Ressuscitado os dois discípulos voltam imediatamente a Jerusalém para contar sua experiência aos apóstolos, e eles lhes dizem: “O Senhor ressuscitou de verdade e apareceu a Simão”. Segue, então, na noite do mesmo dia semana a aparição de Jesus a todos os que estavam reunidos. – As experiências de Jesus ressuscitado acontecem quando as pessoas estão reunidas e falam dele; recordam e contam o que Ele fez e falou. Os anjos recordam que Jesus ressuscitou conforme havia dito na Galileia. Jesus leva a boa notícia de sua ressurreição aos discípulos tristes e desanimados, recorda as Escrituras e se manifesta a eles ao partir do pão. Partir o pão lembra a multiplicação/divisão dos pães. O coração dos discípulos começa a arder enquanto escutam o Mestre no caminho (mesa da palavra), mas o reconhecem quando parte o pão, gesto típico de Jesus (mesa da eucaristia). Tudo aponta para a liturgia eucarística que estamos celebrando. A celebração da Eucaristia na comunidade reunida no Domingo, o Dia do Senhor, é o lugar privilegiado para a experiência da presença viva do Cristo Ressuscitado, que nos alimenta com sua palavra e com seu corpo e sangue.

Frei Ludovico Garmus, Ofm
Biblista e escritor

Meditação bíblica

Tempo pascal – Ano A

2º Domingo depois da Páscoa, 19 de abril de 2020


Oração: “Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, e o sangue que nos redimiu”.


  1. Primeira leitura: At 2,42-47

Todos os que abraçavam a fé viviam unidos

e colocavam tudo em comum.

Lucas dá uma imagem idealizada da comunidade cristã de Jerusalém (At 2,42-47), imagem que se completa em At 4,32-36 e 5,12-16. Lucas apresenta esta imagem como uma resposta viva à pregação de Pedro após a vinda do Espírito Santo (At 2,1-41). A primeira comunidade surge sob o impacto do Espírito Santo, derramado pelo Ressuscitado. O segredo do crescimento e do fervor desta comunidade está resumido no v. 42: “Eles frequentavam com perseverança a doutrina dos apóstolos, as reuniões em comum, o partir do pão e as orações”.

Os elementos constitutivos da comunidade são: o anúncio da Palavra que propõe e salvação, e tem como resposta o serviço (diaconia), a comunhão (partilha, koinonia) e o louvor de Deus. A partilha de bens na comunidade é um reflexo da ordem de Jesus na última ceia: “Fazei isto em memória de mim”. Celebrar a Eucaristia não é apenas fazer a memória da última ceia, da paixão, morte e ressurreição do Senhor. É também fazer a memória da vida de Jesus, marcada pela divisão do pão (duas “multiplicações”); é a memória do Cristo ressuscitado que se deu a conhecer aos discípulos de Emaús ao partilhar com eles a palavra e o pão.


Salmo responsorial: Sl 117

            Dai graças ao Senhor, porque ele é bom;

            eterna é a sua misericórdia.


  1. Segunda leitura: 1Pd 1,3-9

Pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,

Ele nos fez nascer de novo para uma esperança viva.

Esta carta quer confortar os cristãos de origem pagã da segunda geração, ameaçados pela perseguição. O texto começa com um hino batismal, no qual se louva a Deus Pai pela obra da salvação. A misericórdia de Deus se manifesta pela fé em Cristo Ressuscitado. Pelo batismo Cristo nos faz nascer de novo para “uma esperança viva” na salvação que está reservada no céu para nós, e se manifestará quando Ele vier em sua glória nos “últimos tempos”.

A fé e a esperança se tornam vivas e verdadeiras quando passam pelo fogo das provações e nos preparam para participar na manifestação gloriosa de Jesus Cristo. Com tais palavras a carta visa confirmar a fé e o amor dos cristãos que, como nós, não conheceram Jesus de Nazaré: “Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais”. Para os cristãos da Carta de Pedro, e a nós também, dirigem-se as palavras que Jesus diz a Tomé incrédulo: “Acreditaste, porque me viste? Felizes os creram sem terem visto” (Evangelho).


Aclamação ao Evangelho

            Aleluia, Aleluia, Aleluia.

            Acreditaste, Tomé, porque me viste.

            Felizes os que creram sem ter visto!


  1. Evangelho: Jo 20,19-31

Oito dias depois, Jesus entrou.

Os evangelhos lidos nos domingos após a Páscoa apresentam as narrativas das aparições de Jesus ressuscitado. No evangelho de hoje João nos conta duas aparições: uma na tarde do primeiro dia da semana e outra, oito dias depois. Na primeira, Jesus se manifesta aos “discípulos” reunidos no cenáculo. Acontece depois da visita de Maria Madalena ao túmulo, da corrida de Pedro e João ao túmulo vazio e da aparição de Jesus a Maria Madalena. No final da primeira aparição é conferido o dom do Espírito (v. 21-23). Os discípulos recebem o Espírito em vista da missão: “Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio” (v. 21).

Tomé, que não estava presente na primeira “reunião”, não acreditou no testemunho dos apóstolos (v. 24-25). A segunda aparição aos onze apóstolos acontece uma semana depois, e Tomé estava entre eles. O incrédulo Tomé é repreendido: “Põe aqui o dedo e olha minhas mãos, estende a mão e põe no meu lado, e não sejas incrédulo, mas homem de fé”. Tomé devia tocar o lado traspassado de Jesus, deixar-se tocar pelo amor total daquele que deu sua vida por nós. A incredulidade de Tomé traz uma repreensão, válida para todos nós: “Porque me viste, acreditaste. Felizes os que não viram e creram”.

O evangelho está relacionado com a 1ª leitura pelo tema da “reunião”. É na assembleia reunida no Dia do Senhor é que vivemos, celebramos e cultivamos nossa fé comum no Cristo Ressuscitado. Está também relacionado com a 2ª leitura: “Sem o terdes visto, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isto será para vós fonte de alegria inefável e gloriosa” (1Pd 1,8). – A fé em Cristo ressuscitado se reaviva quando nos reunimos no Domingo a fim de participar na oração em comum, e nos alimentamos da mesa da Palavra e da mesa da Eucaristia.

Frei Ludovico Garmus, Ofm
Biblista e escritor

Meditação bíblica dominical


Domingo da Páscoa, ano A, B e C

Domingo, 12 de abril de 2020

Oração: “Ó Deus, por vosso Filho Unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade. Concedei que, celebrando a ressurreição do Senhor, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova”.

  1. Primeira leitura: At 10,34a.37-43

Comemos e bebemos com ele depois que ressuscitou dos mortos.

Lucas traz um exemplo de como poderia ser a pregação inicial dos apóstolos (querigma), testemunhas da ressurreição de Cristo, para os que ouviram falar de Jesus, mas ainda não conheciam a fé cristã. Pedro está na casa de Cornélio, comandante do exército romano, que o convidou para que falasse sobre Jesus de Nazaré algo mais do que ele já conhecia. Por isso, Pedro não perde tempo em falar de coisas já conhecidas: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João”. Invertendo a frase, temos a estrutura dos evangelhos sinóticos: atividade de João Batista, atividade de Jesus na Galileia, paixão e morte de Jesus na Judeia. Pedro afirma que Jesus só andou fazendo o bem por toda a parte, porque “foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder” (v. 38). Apesar do bem que fazia na terra dos judeus e em Jerusalém, acabou sendo morto, pregado numa cruz. Mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia e Jesus se manifestou a eles. Os apóstolos foram escolhidos como testemunhas qualificadas, porque “comeram e beberam com Jesus depois que ressuscitou dos mortos”. Jesus foi constituído por Deus como Juiz dos vivos e dos mortos. Quem nele crê recebe o perdão dos pecados.

Salmo responsorial

Este é o dia que o Senhor fez para nós:

alegremo-nos e nele exultemos.

  • Segunda leitura: Cl 3,1-4

Esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo.

O autor do texto que ouvimos convida os cristãos a guiarem sua vida pelos valores celestes e não pelos da terra. O cristão deve morrer para tudo que leva ao pecado, para viver uma vida nova em Cristo. Isso é simbolizado pelo batismo: No símbolo da imersão na água batismal morre o homem velho e, ao emergir, nasce o homem novo, para viver uma vida nova em Cristo. Como Cristo ressuscitou e está com Deus, diz o autor, nossa vida “está escondida, com Cristo, em Deus”. Esta vida se manifestará quando Cristo voltar triunfante em sua glória, no fim dos tempos. É o que diz Paulo ao falar da ressurreição dos mortos: “Cristo ressuscitou dos mortos como o primeiro dos que morreram”. Por isso, “assim, em Cristo todos reviverão. Cada qual, porém, em sua ordem: Cristo como primeiro fruto, em seguida os que forem de Cristo por ocasião de sua vinda” (1Cor 15,20-23). Quando isso acontecer, “o último inimigo a ser vencido será a morte” (1Cor 15,26). Para Marta, que chorava a morte de seu irmão Lázaro, Jesus diz: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11,25).

Sequência

Cantai, cristãos, afinal: “Salve, ó vítima pascal”!

Cordeiro inocente, ó Cristo abriu-nos do Pai o aprisco.

Por toda ovelha imolado, do mundo lava o pecado.

Duelam forte a mais forte: é a vida que enfrenta a morte.

O rei da vida, cativo, é morto, mas reina vivo!

Responde, pois, ó Maria: no teu caminho o que havia?

“Vi Cristo ressuscitado, o túmulo abandonado.

Os anjos da cor do sol, dobrado ao chão o lençol…

O Cristo, que leva aos céus, caminha à frente dos seus!”

Ressuscitou de verdade. Ó Rei, ó Cristo, piedade!

Aclamação ao Evangelho: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

              O nosso cordeiro pascal, Jesus Cristo, já foi imolado.

              Celebremos, assim, esta festa, na sinceridade e verdade.

  • Evangelho: Jo 20,1-9

Ele devia ressuscitar dos mortos.

No primeiro dia da semana, Maria Madalena vai de madrugada ao túmulo e encontra a pedra removida. É uma das mulheres que estavam junto à cruz, com a mãe de Jesus e o discípulo que Jesus amava. Não vai ao túmulo para ungir o corpo de Jesus, como as mulheres em Mc 16,1, pois Nicodemos e José de Arimatéia já o tinham feito, usando aromas e trinta quilos de mirra e aloés (Jo 19,39-40). Como a mulher do Cântico dos Cânticos (Ct 3,1), bem de madrugada, ainda “no escuro”, ela sai para visitar o sepulcro e chorar o seu amado. Vendo a pedra removida, sai correndo para avisar a Pedro e ao outro discípulo: “Tiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram”. Os dois discípulos também correm para verificar o que aconteceu e buscar uma explicação. Com o Senhor morto e o sepulcro fechado, a vida parecia ter parado. Mas a pedra, que parecia selar para sempre o destino do Mestre, foi removida e o sepulcro estava aberto e vazio. Primeiro entra Pedro e encontra apenas as faixas de linho, que envolviam o corpo, e o sudário, que envolvia a cabeça de Jesus. Depois entra o outro discípulo e encontra as mesmas coisas que Pedro; mas, ele “viu e creu”.

Por que Pedro viu apenas viu um sepulcro vazio e panos espalhados pelo chão? Por que o discípulo amado, a testemunha por excelência, “viu e creu”? Pedro pode ter pensado o que Madalena pensou: alguém roubou o corpo de Jesus, boato mencionado por Mateus. O discípulo amado, fiel a Jesus até aos pés da cruz, acreditou nas Escrituras que anunciam sua ressurreição. Porque amava, viu não apenas um sepulcro vazio, mas também os panos esvaziados, afrouxados, testemunhando a vitória de Jesus sobre a morte, porque tinha o poder de dar sua vida e de retomá-la (10,17-18). Por trás do discípulo amado pode estar a figura do Apóstolo João. Representa, também, todo o cristão iniciado na fé, que ama o Senhor, como Maria Madalena e o discípulo amado e é amado pelo Senhor. É, por excelência, a testemunha de Cristo Ressuscitado. Ele representa pessoas como eu e você, que não viram Cristo ressuscitado, mas crêem. Ele não crê apenas porque “viu” o Cristo Ressuscitado como Maria Madalena e os Apóstolos. Crê porque compreende a Escritura (como os iniciados), “segundo a qual Cristo devia ressuscitar dos mortos”.

Frei Ludovico Garmus, Ofm
Biblista e escritor

Meditação bíblica

Ele não está aqui! Ressuscitou!

Lucas 24, 6

Tríduo Pascal

A Grande Vigília

Sábado Santo, 11 de abril de 2020

A Vigília pascal constitui o âmago de todo o Ano Litúrgico. É considerada a mãe de todas as Vigílias. Aliás, toda a Ação pastoral da Quaresma deveria ter como meta a participação na Vigília pascal. Não basta dizê-lo aos fiéis. Será preciso os pastores irem mostrando sua imensa riqueza.

Nesta noite santa a Igreja não celebra apenas a Páscoa de Jesus Cristo. Celebra também a páscoa dos cristãos, seus membros.

A festa pascal é festa batismal. A Igreja dá à luz novos filhos pela fé e pelo Batismo e, após a penitência quaresmal, renova a própria Aliança batismal, para participar mais intensamente da Ceia pascal do Cordeiro imolado e glorioso. Entre nós, a páscoa é enriquecida pela Campanha da Fraternidade. Por ela se realizou uma experiência pascal da Comunidade eclesial.

Fundamentalmente se trata da celebração da vida renovada em Cristo ressuscitado. Tudo fala de vida e de felicidade. As diversas etapas da Vigília fazem com que a vida divina penetre a Comunidade celebrante.

A abertura é feita pela celebração da luz, que brota da pedra virgem, simbolizando Jesus Cristo, Luz do mundo. Ela vai dissipando as trevas para iluminar a todos os presentes. Eleva-se, então, o grande louvor à luz no canto do Exsúltet, Exulte o céu.

A Liturgia da Palavra torna presente a Palavra criadora de Deus na criação, na formação de um povo, no Cristo ressuscitado, na Igreja hoje, renovando a Aliança de Deus com a humanidade.

Segue-se a Liturgia sacramental. Nesta noite ela abrange os três sacramentos da Iniciação cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia.

Cada sacramento é significado por um símbolo de vida, animado pela ação do Espírito Santo. A ação de graças sobre a água batismal comemora a ação criadora e libertadora de Deus através da história da Salvação, evocada na celebração da Palavra. O óleo do crisma, consagrado na Missa da manhã de Quinta-feira da Semana Santa, é usado no sacramento da Confirmação, simbolizando a presença e a ação do Espírito Santo na nova criação, inaugurada na vida da Igreja.

E o ponto alto da celebração é a Eucaristia, ação de graças por excelência, celebração da nova Páscoa de Cristo participada pela Igreja. A vida que nasce no Batismo e é animada pelo Espírito alimenta-se na mesa do Cordeiro pascal. Os cristãos dão testemunho da Morte e Ressurreição do Senhor Jesus e comprometem-se a ser vida, corpo dado e sangue derramado numa vida de ação de graças a Deus, ao próximo e a todo o criado. Inaugura-se assim um novo céu e uma nova terra.


A Páscoa de Cristo e dos cristãos

Páscoa é a passagem da morte para a vida por obra de Deus. Na solenidade da Páscoa, que se estende por 50 dias, a Igreja celebra a Páscoa de Cristo e dos cristãos, ou a páscoa dos cristãos na páscoa de Cristo. A compreensão disso é de máxima importância para a vida em Cristo, para toda a dimensão pascal da vida dos cristãos. Por sua morte e ressurreição, Jesus vence o pecado e a morte: aquele que os ímpios fizeram perecer, suspendendo-o ao madeiro, Deus o ressuscitou ao terceiro dia (cf. 1 a leit., At 10,34a.37-43). “Ele nos ordenou que anunciássemos ao povo e atestássemos ser Ele o juiz dos vivos e dos mortos estabelecido por Deus. A Ele todos os profetas dão testemunho de que todo aquele que nele crer receberá, por seu nome, a remissão dos pecados” (At 10,42-43).

Os cristãos já ressuscitaram com Cristo. Já morreram e sua vida está escondida com Cristo em Deus: “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com Ele em glória” (cf. 2a leit., Cl 3, 1-4).

Por Cristo morto e ressuscitado os cristãos também já morreram ao pecado e vivem uma vida nova. Isso se manifesta na forma em que eram e podem ser batizados. Mergulhados na água, pela fé e a ação do Espírito Santo, são sepultados na morte redentora de Cristo e, saindo novamente da água, ressuscitam para uma vida nova em Cristo ressuscitado. Esta participação do cristão na morte e ressurreição de Cristo chamamos mistério pascal. Eis a sublimidade da vida cristã: viver permanentemente este mistério pascal, procurando as coisas do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. A celebração da Páscoa anual comemora e assim torna presente a páscoa de Cristo acontecida uma vez na história e a páscoa dos cristãos, que tem seu início na fé em Cristo celebrada no batismo.

Esta páscoa dos cristãos em Cristo morto e ressuscitado torna-se novamente presente e se renova em cada festa da Páscoa. Por isso, ela constitui uma comemoração do batismo, como o Pentecostes é uma comemoração da Crisma. Na festa da Páscoa são lançadas na páscoa de Cristo todos os fatos pascais da vida dos cristãos, incluindo as passagens de situações menos humanas para situações mais humanas, as vitórias contra o mal, o testemunho do Cristo ressuscitado, ações de serviço ao corpo de Cristo, presente nas pessoas humanas. Assim, realiza-se o mistério da Páscoa, fonte e manifestação de vida da humanidade por Cristo morto e ressuscitado.

Frei Alberto Beckhäuser
Teólogo e Liturgista