Dois caminhos


Trajetória franciscana

Ir. Ângela

Sedutores, cada um ao seu jeito,
Vale discernir qual o melhor!
Glórias e honras passageiras da terra?
Glórias e honras eternas nos Altos Céus?

Quando o chamado do Alto acontece em nossas vidas, ele vem acompanhado da Graça, que nos torna possível decidir se atendemos ou não.

Para isto somos livres, porque a Graça propõe, não impõe.

Ela nos sugere um modelo, e com sua história nos encantamos, aprendemos e encontramos inspirações  para nossas atitudes.

Mas, não basta decorar a história do personagem, admirar seus feitos, cantar suas canções, encantar-se com a sua glória no Céu, ao voltar para a casa do Pai.

Nossa fonte de inspiração, viveu sua história, realizou seus feitos, sentindo na carne as dificuldades e as renúncias exigidas em cada situação. Não nasceu perfeito, abrigava sonhos mundanos em sua alma, aspirava  à nobreza da corte, a glória dos homens de seu tempo: lutar para defender suas terras e quem sabe, conquistar outras, porque naquele tempo era o costume e para isto foi educado.

Mas, quando a natureza divina interfere ela revela novos sentidos de nobreza, de glórias e tesouros. Revela o que é imperecível, o que a “traça não corrói” e o mundo não pode nos tirar.

Ela se manifesta nas regiões mais recônditas de nós mesmos e, lá no “silêncio do quarto”, sussurra uma voz, que não é voz, que não se repete.

Comunica , deixa a certeza e cala.

É como se dissesse: – “Siga-me, se quiser!”

Esta revelação jamais se apaga, “traz a paz, mas não nos deixa em paz”. A voz cala, mas o convite ressoa para sempre.

Escolher entre o que se “vê” e o que se “sabe”, é muito difícil, estranho até.

Escolho as honras passageiras, gozo do prestígio e do poder que este traz? Aplausos e fama, alegria e diversão? Na juventude, o que mais se quer?

Escolho as honras imortais? Escolho a revelação que me inunda de esperanças e de certezas de que a plenitude me acolherá?

Escolher o caminho do espírito é optar pela “porta estreita” e concluir que “não posso servir a dois senhores”. Lucro agora ou acumulo tesouros eternos?

O chamado foi feito. Qual caminho seguir?

Se opto pelo segundo, terei de renunciar a mim mesmo, dia após dia. Defenderei os fracos e oprimidos, farei de todos meus irmãos… Mas, isto é andar na contra mão do mundo… é loucura! Abrirei mão das minhas verdades, se for preciso, me despirei de preconceitos que parecem ter nascido comigo… darei de comer aos famintos e vestirei os nus.

Desapropriar-me de tudo, deixar o outro ser ele mesmo, calar suas dificuldades cobrindo-o com o manto misericordioso do meu silêncio. Todo este esvaziamento me possibilita cumprir o “santo e veraz mandamento”. 

E isto ainda não será tudo. Este caminho não tem fim e nem volta, sempre haverá mais por fazer. 

Mas, apesar dos desafios,  este foi o caminho escolhido pelo santo de Assis, o personagem que o inspirou foi o próprio Jesus. 

Renúncia e entrega! Magnífico de ser contemplado, mas dificílimo de ser vivido.

A trajetória de Francisco foi dedicada a aperfeiçoar-se no amor incondicional, na obediência e no abandono à vontade do Pai, como Jesus.

Seguiu com a tocha da fé acesa em suas mãos, com o brilho da esperança guiando seus passos e a nobreza da caridade dominando seu coração.

E a Graça, diante de tanta obediência, castidade e pobreza, o abençoou e tornou tudo possível, entregando-lhe no Céu a auréola de santo, concedida àqueles que enquanto permanecem na terra,

se tornam um com seus irmãos.
Ir. Ângela
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