Meditação Bíblica Dominical

Santíssima Trindade – Ano A

Domingo da Santíssima Trindade, 07 de junho de 2020

Oração: “Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito santificador, revelastes o vosso inefável mistério. Fazei que, professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente”.


Primeira leitura: Ex 34,4b-6.8-9

Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente.

Nos textos bíblicos Moisés é apresentado como alguém que tem grande familiaridade com Deus. Deus falava “face a face” com Moisés. Depois destes diálogos íntimos com Deus, quando Moisés voltava para junto do povo seu rosto brilhava, iluminado por uma luz misteriosa (Ex 34,29-35). Nem sempre foi assim. Por exemplo, quando Moisés voltou a primeira vez ao acampamento dos israelitas, trazendo as tábuas da Lei do alto do monte Sinai, encontrou o povo revoltado, adorando um ídolo. Cheio de indignação, quebrou as tábuas da Lei. Mesmo assim intercedeu em favor do povo pecador. Recebeu, então, nova ordem de subir até o monte, para receber as novas placas da Lei. A primeira leitura narra o novo encontro com Deus e a linda súplica que Moisés então proferiu. Deus, então, se revela a Moisés como um “Deus misericordioso, paciente, rico em bondade e fiel”. Moisés precisava aprender. Percebe como estava ainda distante deste Deus misericordioso e sente-se incapaz de liderar um povo de cabeça dura. Pede, então, que Deus lhe conceda um pouco de sua misericórdia, bondade e paciência, e suplica que não o deixe sozinho nem abandone o povo que escolheu: “Caminha conosco… perdoa nossas culpas… acolhe-nos como propriedade tua”.

É a fé que nos ajuda a descobrir, em meio aos sofrimentos e provações que se abatem sobre nossas vidas, um Deus misericordioso, que nos perdoa, caminha conosco e nos acolhe como seus filhos e filhas. Esse Deus foi Jesus quem nos revelou.


Salmo responsorial: Dn 3

A vós louvor, honra e glória eternamente!


Segunda leitura: 2Cor 13,11-13

A graça de Jesus Cristo, o amor de Deus

e a comunhão do Espírito Santo.

A leitura de hoje traz a conclusão da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios. Nela o apóstolo, como de costume, trata de problemas a serem corrigidos. Mas um dos temas principais da carta é a uma coleta para os cristãos pobres da Judeia que Paulo promovia entre as comunidades por ele fundadas. Várias comunidades colaboraram com generosidade, mas a de Corinto se omitiu. A conclusão contém cinco imperativos que resumem o esforço da vida cristã a ser feita pelos coríntios: “Alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz…”. Havia divisões na comunidade que perturbavam a paz na igreja de Corinto. Por isso Paulo convida a restabelecer a união com gestos simples: “Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo”. O texto conclui-se com um voto para que tudo seja vivido na comunhão com a Trindade Santíssima: “A graça do Senhor Jesus Cristo (Filho), o amor de Deus (Pai) e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós”. É a saudação do sacerdote no início da missa.


Aclamação ao Evangelho

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Divino,

ao Deus que é, que era e que vem, pelos séculos. Amém.


Evangelho: Jo 3,16-18

Deus enviou seu filho ao mundo,

para que o mundo seja salvo por ele.

O evangelho, aludindo ao sacrifício de Isaac (“filho único”) por Abraão, proclama que a obra realizada por Cristo (Filho de Deus) manifesta o plano do amor do Pai para com a humanidade. Quem acolhe este plano de amor é salvo; quem o rejeita, é condenado. Deus, porém, não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas quer que o mundo seja salvo por ele. A condição para a salvação é a fé em Cristo Jesus, Filho de Deus.

Deus enviou seu Filho ao mundo para revelar seu plano de amor, que é “graça e verdade” (Jo 1,17). Deus é “compassivo e misericordioso, lento para a cólera, rico em bondade e fidelidade” (1ª leitura). Este Deus que é Amor, “ninguém jamais viu. O Filho único de Deus, que está junto ao Pai, foi quem no-lo deu a conhecer” (Jo 1,18), pois quem vê Jesus, vê a Deus Pai (Jo 14,9). É como se diz em família: “Ela é a cara da mãe e ele é a cara do pai”. O mistério que nos envolve, hoje, é o da unidade do Pai e do Filho, no seu amor para com a humanidade. Esta unidade no amor, para dentro e para fora, é o Espírito Santo (Santo Agostinho). Pela fé e pelo amor que vivemos somos introduzidos no mistério da Santíssima Trindade: “Se alguém me ama, guarda a minha palavra; meu Pai o amará, e viremos a ele e nele faremos morada” (Jo 14,23).

Frei Ludovico Garmus, Ofm
Biblista e escritor

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